sábado, 17 de abril de 2010

Estilingue


Karl Kraus, nascido num mês de abril de 1874, foi um escritor e jornalista austríaco eminente. Ficou conhecido por seus aforismos, especialmente aqueles dirigidos à imprensa e à política. Uma de suas pérolas desnudava a malandragem que caracteriza muitos políticos atuais: “O segredo do demagogo é se fazer passar por tão estúpido quanto sua platéia, para que esta imagine ser tão esperta quanto ele”.

Já estamos em plena temporada eleitoral. Daqui para frente, para usar um termo muito usado recentemente, viveremos uma verdadeira inundação de matérias. Será difícil separar a sinceridade do interesse, em meio a tantos jornalistas que posam como vestais, aqueles que trabalham para veículos que dão o tapa, mas fazem questão de esconder a mão.

Desde que o Brasil adentrou a fase redemocratizante, a máscara da política vem caindo aos poucos. A imprensa faz seu papel, mas não se iludam: a transparência é efeito colateral, e não objetivo central.

A onda de denúncias a que assistimos hoje é fruto da revelação das entranhas do poder, e não da mudança de comportamento: políticos que roubam muito, antes roubavam pouco; políticos que mentem demais, antes enganavam sem alarde. O que são, é o que sempre foram. Como uma foto três por quatro ampliada, o que antes sugere pequeno defeito, surge em real grandeza depois da ampliação...

Antes de atirar pedras a esmo – e em ano eleitoral esse é um dos esportes mais praticados – , é bom identificar o líder da turba. A mais das vezes ele tem motivos não muito idôneos para comandar o ataque. O recente julgamento do casal Nardoni, que ocupou tanto espaço em jornais e na TV, revela que a ampla maioria atira pedras por impulso. E os líderes da turba, quase sempre, empunham microfones ou canetas. Mais que demagogos, gostam de se fazer passar por justiceiros. Cuidado: quando o assunto é eleição, a maior vítima pode ser você...

Texto de Alexandre Pelegi

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